Em Fevereiro fez 4 anos que cheguei a Macau. Mas ao contrário do que possam pensar eu não escolhi Macau.

Ora, em 2015 resolvi candidatar-me ao INOV Contacto (um programa de estágios internacionais patrocinado pelo governo português) e a 8 de Janeiro de 2016 recebi uma chamada a informar que tinha integrado o programa. No próprio dia despedi-me da empresa onde estava para poder iniciar o programa na semana a seguir.

Para quem não sabe, no estágio INOV nós não escolhemos o nosso destinos, o que significa que podemos “ir parar” a qualquer parte do mundo. No dia 13 de Janeiro, o meu queixo caiu quando vi a bandeira da China à frente do meu nome (nem sequer era a de Macau).

Como devem imaginar a minha deu uma volta de 180º (posso dizer literalmente?) no espaço de um mês. No dia 15 de Fevereiro de 2016 pousei os pés pela primeira vez na Ásia e desde então que aqui estou.

Como em muitos países do sudeste asiático, há luzes em todo o lado, pessoas na rua e até oficinas de carros abertas pela noite dentro. Há lojas de conveniência (o famoso 7 eleven) e supermercados abertos 24h. A conveniência de descer o prédio e entrar na porta do lado às 2 da manhã para comprar água, papel higiénico ou champô era algo a que eu não estava de todo habituada.

Macau, capital mundial do jogo, é o único local na China onde o jogo em casino é legal. Os casinos e os centros comerciais são enormes, muitos em tons dourados, a emanar ostentação ao mais alto nível e com espectáculos enormes de luzes e água a cada meia hora (a quem visitar Macau: é obrigatório ver o espetáculo do diamante no Galaxy).

Macau de conveniência

É fácil viver em Macau, há que reconhecer! Não há descontos, os impostos são baixos e o governo ainda oferece parte dos lucros dos casinos aos residentes, todos os anos. As rendas são altas, mas os salários cobrem perfeitamente essa parte. Os transportes são muito baratos e as contas da luz, gás e água são ridiculamente baixas.

Mas o que realmente me surpreendeu foi a segurança física que senti em Macau logo nas primeiras semanas. Apercebi-me que quer andasse às 23h ou às 6 da manhã, sozinha, a pé ou de autocarro, não havia qualquer receio. Ninguém olha e poucos são os que têm coragem para dizer uma palavra que seja. Foi uma segurança que nunca senti em Portugal. E, verdade seja dita, isso tornou a vida muito confortável.

A Ásia

Uma das grandes vantagens de Macau é a localização. Nós temos Hong Kong a 50 km, estamos colados à China continental e o Vietname, Filipinas, Japão e Coreia do Sul estão a viagens de avião de 1-4 horas.

Macau é uma cidade pequena e com pouco entretenimento (a não ser gastar o ordenado num casino) e o facto de ser rodeada de fronteiras torna-a um pouco claustrofóbica, por vezes. Por isso, é comum aproveitar-se um fim-de-semana para visitar um destes locais

A comida

Eu adoro comida asiática! Se algum dia me for embora, tenho a certeza que vai ser o que mais vou sentir falta. Gosto de tudo, macaense, chinesa, vietnamita, tailandesa, coreana, japonesa…tudo! E em Macau conseguimos ter tudo isto, de uma forma mais genuína do que a que se encontra em Portugal (sorry!).

Além disso, Macau é o sítio do Mundo onde há mais concentração de restaurantes com estrelas Michelin, pelo que vamos daqui com um know-how gastronómico bem completo!

O choque cultural

Estaria mentir se dissesse que não senti qualquer choque cultural. Senti e sinto, diria até mesmo todos os dias.

Apesar de Macau me ter fascinado logo desde o início, tenho que admitir que nem sempre é fácil aceitar algumas particularidades da cultura chinesa/asiática no geral. Os comportamentos, ideias e ideologias são muito diferentes do que estamos habituados e por vezes tornam-se incompreensíveis. O que é frustrante por momentos, torna-se muitas vezes gratificante quando conseguimos compreender e aceitar as diferenças. E isso é das principais razões que me faz querer continuar a viver fora de Portugal.

Quanto às saudades, elas existem, claro! São fortes tanto nos momentos mais difíceis como nos mais especiais e não vale a pena falar mais nisso.

Foram já muitas as experiências diferentes que tive nos últimos 4 anos, quer em Macau como noutro país aqui à volta, a nível profissional ou pessoal. É a conversa de sempre, mas tenho a certeza que não seria a mesma pessoa que sou se tivesse ficado em Portugal.